sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O RESTO É RESTO

O Brasil está em festa. Às vezes me impressiono com o meu completo desinteresse pelos esportes. Sou bem capaz de assistir junto com amigos a uma partida de futebol, mas quando torço não é sincero "afu". Raramente faço coro com o resto das pessoas quando algo muito espetacular acontece. Na maioria das vezes nem mesmo sei que foi espetacular.

Não há outra utilidade para as olimpíadas que não seja a projeção midiática que esse tipo de evento alcança, com jogos e mais jogos, para torcer pela nação, coisa que não faz minha cabeça. Dá nada? É a maioria esmagadora mostrando que PRECISA de entretenimento para sumir do difícil desafio que é viver no Brasil. Até 2016 não teremos mais problemas, salvos pelas Olimpíadas e pela Copa 2014 o resto agora é resto!


De qualquer maneira, eu "tô dentro"! Está ótimo, se sobrar cerveja e uns bons pasteizinhos para a data, daí , só resta juntar-se a eles. E vamo que vamo!



Por Beto STone

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

GESTO DE COOPERAÇÃO

Bacana a nova campanha para de trânsito direcionada aos pedestres. Essa de esticar o bracinho para atravessar a rua. Percebo, no entanto, que o efeito está sendo diferentemente eficaz. Sempre achei que os motoristas são muito prepotentes e orgulhosos em relação aos pedestres e daí a eterna problemática entre o “a pé” e o “motorizado”.

O que tenho notado da janela, é que os carros estão parando por antecipação, ou seja, param porque querem e não porque o “pau no cu” esticou sua mão imunda. Outra coisa que me chama a atenção e me preocupa, é a impressão de que os pedestres que aderiram à campanha estejam usando o gesto/instrumento (mão) para uma espécie de revanchismo. “Nós que sempre fomos injustiçados vamos mostrar que o mundo dá voltas!”, pensam.

Não podemos deixar de levar em consideração que as faixas de segurança em Porto Alegre nunca foram resultado de um planejamento. Se levantarmos a mão toda hora, sem pensar que algumas faixas são traçadas "a bangu", sem qualquer intenção de organizar o trânsito, mais uma vez estaremos nos desentendendo uns com os outros. Para isso deve servir essa campanha, cooperação entre pedestres e o motoristas. O motorista parar sempre que der e o pedestre saber a hora de esticar o braço.


Por Beto STone

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ATÉ DORMIR

Faltavam pouquíssimos minutos para as onze da noite e eu girava na cama quente e confortável. Sem qualquer motivo, eu decidira dormir cedo e assim o faria a semana inteira. Nessa primeira noite eu estava sozinho no meu quarto. Do meu lado, Vargas Llosa esperava ser aberto mais uma vez. Abaixo dele, muitas revistas dos meses anteriores, sobras da sala de espera de um amigo meu médico, que me prometera doá-las depois de cada mês. Porém, sempre muito ocupado, surje na maioria das vezes com uma pilha delas depois de cinco ou seis meses. Do lado esquerdo, algumas folhas que, se juntas, formavam o jornal do dia.

Nada fácil dormir cedo. Há quase quatro anos a televisão não me diverte. Sentei na cama para me levantar. Com as duas mãos abri a janela sincronizadamente, tipo porta automática de shopping. Deixei a cabeça escapar para o lado de fora e aspirei até preencher todo o espaço que ainda há em meus pulmões. O frio na rua não me intimidava. Assim que calcei os sapatos, agarrei minha carteira, meu casaco, uma manta e as duas últimas palomitas que tinha em casa, artigo que não se encontra há essa hora. Pensei que deveria aproveitá-las da melhor forma.

Batendo o portão do prédio atrás de mim, comecei o que propus a fazer: pensar. Senti-me arrependido. Pensar e repensar. São tantas coisas que para não começar puxei o isqueiro do bolso e acendi a cigarrilha. Na terceira baforada, antes mesmo da primeira esquina, abandonei o cigarro e resolvi aproveitar o vento que batia na minha cara para voltar pra casa.

Vou dormir cedo.


Por Beto STone

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

ELE SE ACHAVA O MÁXIMO

então escrevi isto em sua 'homenagem'...

"Pra que usar a bebida como morfina?
Se você não aguenta sua vida Vazia
Pare de disfarçar, fingindo que tem mil amigos
Se na verdade você está Só
Quando o efeito do álcool passar
e não estiver Ninguém ao seu redor
Abra mais uma lata, beba mais um pouco
e volte a ser o Bobo da Corte
Todos sabem que você Não possui Nada
mas não se preocupe, eles também não!
Você se diz um beatleamaníaco e fala que
o Paul é o seu preferido
Só usa terninho e cabelo moptop para [a]parecer
legal e faz pose cheirando pó
Tudo isso só para ter amigos que
não existem quando amanhece e a festa Acaba."


Por .lola

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"SE MEGGY MORASSE PERTO EU TERMINARIA COM ESSA TORTURA FACILMENTE"

“baby, dentro de alguns minutos eu vou arrancar essa tua maldita calcinha e te mostrar um pescoço de peru que tu vai lembrar pelo resto da vida até a sepultura. Eu tenho um pênis enorme e curvado. Como uma foice, e muita buceta de respeito já ficou boquiaberta e arfando sobre meu tapete duro e seboso. Primeiro deixa eu terminar esse drinque.”


Charles Bukowski, em Notas de um velho safado


quarta-feira, 15 de julho de 2009

GATOS E OUTROS SERES

Frequentemente sonho com os dois cachorros que tive na infância. Entraram para a família praticamente ao mesmo tempo que eu. A última imagem que ficou deles foi a velhice que eles aparentavam, principalmente o mais velho. Quando protagonizam meu sono estão com a mesma aparência. Algumas vezes eles são trocados pelos atuais animais que habitam minha casa, que também não é mais a mesma.

Agora são gatos. Muito diferentes dos cachorros, os bichanos despertam antipatia por muita gente. Confesso que no início também não me confortava conviver com eles.

A convivência parte da pessoa e da sua capacidade de adaptação e tolerância às características dos demais seres. Também vai muito da capacidade que cada um tem de entender e aproveitar as qualidades que muitas vezes estão implícitas. Garanto que os animais, mesmo que inconscientemente, também fazem essa distinção. Com quem eles preferem estar? Provavelmente entre seus semelhantes, mas devem pensar que na falta de algo melhor, vai esses macacos pelados mesmo.

Estes selvagens podem se dar bem com o resto da fauna, até com cachorros. E nós, que vivemos entre os de nossa espécie, não conseguimos nos dar conta de que deixamos de lado nossa capacidade de perceber e aproveitar as qualidades dos outros seres.

Por Beto STone

quinta-feira, 2 de julho de 2009

CRÔNICA I

Sempre que pego um ônibus ou trem, sento-me na janela e fico observando as pessoas que passam por mim, estejam elas na rua ou sentadas ao meu lado. Fico tentando adivinhar seus nomes, para onde estão indo, o que estão fazendo, quais são suas divagações...

Naquela manhã fria, logo que entrei no trem, uma mulher chamou minha atenção. Estava sentada à minha frente, coberta por uma lã vermelha que lhe caía muito bem, contrastando com o negro cabelo e a pele branca. Deveria ter por volta de 30 anos, chamei-a de Luiza.

Luiza lia seu livro sobre espiritismo, às vezes mudava o foco erguendo a cabeça como se tentasse resgatar na memória alguma lembrança. Sorriso abafado. Olhou para o relógio e de repente fechou o livro. Sua expressão mudou quando viu que já eram 7h53, provavelmente estava atrasada, pois a inquietude tomou conta de si. Quando o trem parou, Luiza desceu correndo e suas luvas permaneceram no canto do banco. Já não dava mais tempo, o trem já havia partido.

E Luiza? Acredito que estava atrasada para o trabalho ou para alguma consulta médica. Dias depois encontro-a atravessando a rua, estava de braços dados com o namorado. Eu a avistei de longe e reconheci. Infelizmente o motorista do ônibus não teve a mesma sorte que eu. Luiza tinha 33 anos e dias antes tinha ido ao médico, pois estava grávida de um mês.


Por .lola