sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Os Efervescentes - Por Que Não Relaxar?

Por Que Não Relaxar? (Tessler, Stone)


Não sei mais o que fazer

Disseram, eu não sei por que

Devemos, sim, continuar

Talvez, se o seu amor passar

Vou lhe cumprimentar

Eu não tenho razão


Então por que não relaxar?
Então por que não relaxar?


Passei o dia sem saber

Por onde anda você

Não vou mais esperar

Depois que tudo já passou

É tarde então eu vou

Não vou mais esperar


Então por que não relaxar?
Então por que não relaxar?


Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Os Efervescentes - Não Vou Lhe Contar (letra)

Não Vou Lhe Contar (Rodolfo Krieger)


Paro, olho, vejo tudo

Mas não olho pra ningém

Com a cabeça para o alto

Não esqueço quem sou eu


E nem pense que um dia eu

Vou lhe contar

E nem pense que um dia eu

Vou lhe contar


Sempre corro contra o tempo

Tenho pessa de chegar

Sendo sempre invisível

Eu não quero enxergar


E nem pense que um dia eu

Vou lhe contar

E nem pense que um dia eu

Vou lhe contar


E nem pense que um dia eu

Vou lhe contar

E nem pense que um dia eu

Vou lhe contar

Os Efervescentes - Não Demore (letra)

Não Demore (Beto Stone)

Eu não quero que pare

O tempo todo, a noite inteira eu te esperei

Sei, e bem o que fazer

Eu tenho pressa, não vejo a hora de chegar

Esteja esperto, não fora do ar

Venha comigo, não pense muito e não demore

Não demore

Não demore

Eu não quero que pare

O tempo todo a noite inteira eu te esperei

Sei, e bem o que fazer

Eu tenho pressa, não vejo a hora de chegar

Esteja esperto, não fora do ar

Venha comigo, não pense muito e não demore

Não demore

Não demore

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

CARTA AOS QUE FECHARAM A PORTA (PARAGUAY, AGOSTO DE 2004)


Certamente um dos piores dias da história daquele lugar. Talvez a maior tragédia para aquelas pessoas, depois das guerras. Num domingo, 1º de agosto de 2004, às 11h30, o hipermercado Ycuá Bolaños era consumido por fortes chamas, vítima da ganância e egoísmo humano. Em pouquíssimo tempo o fogo tomou conta e arrasou com todas as centenas de galerias daquele gigante. Porém, a verdadeira tragédia se deu pela falta de alternativa para as pessoas que lá dentro estavam, senão a de morrerem queimadas, porque as portas haviam sido trancadas. Fechadas pelo pensamento absurdo de evitar o saque das pessoas que ali consumiam com o dinheiro do seu trabalho.

Os proprietários Juan Pio Paiva e seu filho Victor Daniel Paiva Espínola, ordenaram que ninguém saísse dali até que descobrissem o que era aquilo. Provedores de famílias inteiras, populares, jovens trabalhadores, crianças, mães, pais, avós, compravam suas necessidades num ambiente lotado de gente, cheio mesmo, pois em menos de 24 horas seus salários chegariam. As cenas que se viam em todas as saídas eram de pessoas enclausuradas, chorando e berrando, jogando seus braços contra vidros de 20mm de espessura. Da rua, jogavam-se pedras e paus para tentar romper aquela vitrine da morte.


Saímos à rua para encontrar os familiares que estavam na cidade, enquanto telefonava para o Brasil para avisar que eu não tivera o azar de estar lá dentro. O fogo foi apagado somente um dia e meio depois e mais de 400 pessoas morreram. Os corpos eram levados para uma danceteria que tinha em frente ao horror e grande parte não pôde sequer ser reconhecida. Infelizmente, voltei antes do desfecho do acontecido, mas duvido que os responsáveis tenham sofrido alguma pena.


Nesse contexto, eis que surge uma carta anônima na redação de um jornal da cidade. Este e os demais jornais a publicaram dias depois. Era exatamente isso que sentíamos.



terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Os Efervescentes


Grupo portoalegrense Os Efervescentes.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

EDUCAÇÃO É UM DOM

É impressionante. Como eu sempre falo, quem anda bastante pela cidade, a pé ou de ônibus, vê cada coisa mais maluca.

Indo para o trabalho subi na condução, que não estava nos seus dias mais pontuais. Do ponto eu percebi que viajaria de pé, pois cerca de dez pessoas assim estavam. Cartãozinho na mão e to dentro. Logo vi que eram daqueles carros que tem, à direita de quem entra, uma poltrona de frente para a outra. Sempre me dá a impressão que se não estivessem assim, daria lugar a mais uma dupla de assentos. Assim, seriam oito de pé quando cheguei.

Sentado na janela e virado para a porta, havia um senhor com uma maleta e uma calha daquelas de esconder fios que, de relance pensei que fosse uma bengala para cego.

O sujeito levantou e, quanto mais coisa se tem em mãos, pior fica se locomover pelo corredor do veículo. Chamou-me a atenção que ele parou no meio do caminho que levava na direção da porta, ou seja, parou no meio do corredor. E aí, começou o show!

Buscando a porta de saída, um rapaz com cerca de 18 anos e fones de ouvido, pede licença pro cara. Este responde e o garoto não escuta. O coroa repete e ele saca o fone de uma das orebas, escuta e pára. Não consegui entender o que diziam.

Em seguida, uma senhora tenta fazer o mesmo. O velho pergunta bem alto, sem olhar ela. “Vai descer antes do Rosário?”. A senhora com desconfiança, mas sem perceber a estranheza da pergunta, lhe responde que não. “Então a senhora que espere”, responde o louco. E ela esperou.

Percebeu-se que o cara não deixaria as pessoas passarem por ele até que ele descesse.

Outro senhor, que estava assistindo a cena, como todos nós, forçou uma passagem, e escuta: “O senhor vai descer antes do Rosário?”. “Vou!”, responde o cara. Como não havia outra parada, senão a do Rosário, o piradão repete a pergunta. “Vai descer antes do Rosário?”.

O cara tenta passar na marra. O louco intervém. As pessoas começam a falar todas ao mesmo tempo. “Que desaforo!”, “Que falta de educação!”, “Ele só pode ser louco!”, diziam. E ninguém passou.

Quando chegou a parada, o homem, do meio do corredor, pede para que o motorista “segure”, pois ele agora desceria. Lentamente, e sob uma vai digna de torcida de futebol, caminha pelo bus e desce. De fora do ônibus acena como se tivesse sido injustiçado e que o que fizera fora para ensinar um pouco de educação para aquele povo.

VALEU DOS MEU!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

NOVO AMIGO

Sem nada para fazer. Já se passaram semanas e nada encontrei para me distrair. Foi pensando e mascando o tédio que forrava os dias que tive uma idéia.

Estava na casa de uma tia. Fui obrigado a passar ali alguns meses ou anos, quanto tempo precisasse para me restabelecer da briga que tive com meus pais. Como havia saído de casa de qualquer jeito, estava sem meu violão, meu inseparável companheiro. Lembrei que quando jovem, nesta casa tinha um piano velho e todo desafinado.

Lembrei, também, que na calça que eu vestia, ainda estava guardado um pedacinho de LSD que tinha ganhado de presente em uma festa. Não recordava muito bem de quem, nem em que festa tinha conseguido a figurinha.
Calculei que o tomaria e tocaria um piano.
Faria uma música psicodélica, algo bem malucão mesmo. Bike língua abaixo e esperar. Veio vindo, vindo e veio. Ainda em condições de descer as escadas, fui.

O piano tava cheio de poeira. Olhando bem, levei mais de meia hora para lembrar que queria abrir o instrumento. Puxei a cadeira e estalei meus dedos, igual a um profissional.
Nos primeiros acordes minha emoção foi aos céus. Estava quase perfeito. Mas não soava a psicodelia que eu queria. E não era mesmo. Com o efeito do ácido que tomei, o piano, que não produzia som qualquer há décadas, soava afinadíssimo. A droga havia feito com que eu sintonizasse com aquela porra, seja qualquer que fosse a afinação.

Não bem o que eu queria. Mas as quatro da madrugada, quando terminei a obra, senti não estar tão satisfeito. Mas fiquei feliz por ter encontrado um novo amigo. E feliz por termos nos entendido tão bem!