
Os proprietários Juan Pio Paiva e seu filho Victor Daniel Paiva Espínola, ordenaram que ninguém saísse dali até que descobrissem o que era aquilo. Provedores de famílias inteiras, populares, jovens trabalhadores, crianças, mães, pais, avós, compravam suas necessidades num ambiente lotado de gente, cheio mesmo, pois em menos de 24 horas seus salários chegariam. As cenas que se viam em todas as saídas eram de pessoas enclausuradas, chorando e berrando, jogando seus braços contra vidros de 20mm de espessura. Da rua, jogavam-se pedras e paus para tentar romper aquela vitrine da morte.
Saímos à rua para encontrar os familiares que estavam na cidade, enquanto telefonava para o Brasil para avisar que eu não tivera o azar de estar lá dentro. O fogo foi apagado somente um dia e meio depois e mais de 400 pessoas morreram. Os corpos eram levados para uma danceteria que tinha em frente ao horror e grande parte não pôde sequer ser reconhecida. Infelizmente, voltei antes do desfecho do acontecido, mas duvido que os responsáveis tenham sofrido alguma pena.
Nesse contexto, eis que surge uma carta anônima na redação de um jornal da cidade. Este e os demais jornais a publicaram dias depois. Era exatamente isso que sentíamos.

